8 de junho de 2016

Manga espera ser chamado para 70


MANGA ESPERA SER CHAMADO PARA 70

Rio (Sport Press, especial para o Diario da Noite) – Manga, o grande goleiro que o Botafogo cedeu ao Nacional, de Montevidéu, está no Brasil em gozo de férias, revendo amigos a matando saudades. Conta que tem acompanhado o movimento do futebol brasileiro através dos jornais e informações de amigos que vão ao Uruguai ou mesmo de cartas. Está satisfeito no Nacional onde encontrou ambiente excelente, o apoio indispensável do técnico Zezé Moreira e o estímulo de Célio, que no Uruguai é um ídolo.

Em grande forma

Manga diz que está em grande forma e cumpriu uma campanha altamente meritória no Uruguai: sofreu 4 gols em 14 partidas, índice que o coloca entre os valores de maior expressão do Uruguai, entre os goleiros.
Por tudo isso Manga tem esperança de poder ser útil à seleção brasileira, aspiração que para ele representaria uma reparação moral às injustiças de que foi alvo antes de ser “vendido ao Nacional por preço de banana”, com o que só o Nacional fez bom negócio.
“Só uma coisa me confortaria agora, uma espécie de reparação moral: ser convocado para a seleção brasileira. Seria um caso igual ao de Amarildo e Jair da Costa, que mesmo jogando na Itália, foram chamados pela CBD. Modéstia à parte, atravesso grande forma técnica e o melhor testemunho está na minha campanha. Quem quiser comprovar é só ler as crônicas dos jornais uruguaios sobre as partidas que joguei”.

Seleção sem goleiros
Manga diz que pelo que soube, a seleção brasileira ainda não conta com um bom goleiro.
“Não que os convocados não ganham grandes predicados. Mas percebi que não tem ainda a experiência necessária para formar no selecionado. Verifiquei, por exemplo, que tanto Alberto como Picasso, tomaram gols incríveis, por pura falta de cancha. Há uma regra primária dos goleiros que eles esqueceram: bola na área pequena é do goleiro. Falharam por falta de experiência”.

À disposição da CBD

“Desde que o comando técnico da seleção julgue que posso ser útil ao selecionado, estarei pronto a servir. O Nacional é um grande clube e tenho certeza de que não criaria dificuldades à minha vinda”.
Manga faz questão de salientar que não pretende criticar os goleiros convocados. “Apenas estou usando o que a imprensa comentou à respeito deles e que reputo ter sido apenas uma consequência da falta de experiência. Jogar num time é uma coisa. Na seleção é diferente e a experiência é fundamental”.

Defendeu um pênalti de “bicicleta”

Indagamos de Manga se era verdade que havia defendido um penalti de bicicleta. Ele riu e contou:
“Realmente. Mas não foi por gaiatice, nem por desrespeito ao adversário. É que não havia outra alternativa. Era a única jogada possível. Chovia, o campo estava molhado e escorreguei na hora do salto. Salvei-me pelo reflexo rápido e pude salvar o gol, com uma “bicicleta”.
Mas, conta outras situações que “tem divertido muito o público uruguaio”.
Defender bolas de cabeça e sair da área driblando até encontrar algum companheiro a quem possa passar a bola. Isso me valeu, inclusive, algumas entradas violentas de jogadores adversários que ficam com raiva”.
“Numa partida fui quase até a linha média, para entregar a bola e depois tive de voltar correndo para o gol. O outro time tinha recuperado e armou um contra ataque. Felizmente cheguei a tempo de fazer boa defesa”.

Volta ao Brasil

Manga revela que seu contrato com o Nacional vai até junho de 70.
“Então pretendo voltar ao Brasil para encerrar minha carreira aqui. Não sei qual será o clube. Apesar de muitos amigos que deixei no Botafogo, será o único que não mais desejo defender”. Finaliza a conversa manifestando seu contentamento pela volta de Mané Garrincha dizendo: “Acredito que em 70 ele será o titular da ponta-direita da seleção brasileira, porque não tenho dúvidas de que com o estímulo da torcida do Flamengo, voltará a ser insuperável”.

Fonte: Diario da Noite, Recife, 06/01/1969

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