Trinta e oito anos de idade, treinando apenas por hábito, Gilmar parou com a seleção e condena os erros que existem na formação da Canarinha desde 66. O goleiro bicampeão do mundo acha que chegou a hora de torcer, somente torcer pelo sucesso do Brasil na próxima Copa do Mundo, deixando que Picasso, Félix e outros bons arqueiros ocupem o posto que ele honrou em duas Copas, 58 e 62, e somente não conseguiu sucesso em 66 por culpa dos cartolas que não souberam, sequer, acertar na convocação dos jogadores. E a desorganização reinante foi que levou a Canarinha ao fracasso.
Gilmar, arqueiro bicampeão mundial de futebol, vê com poucas possibilidades as condições do Brasil chegar as eliminatórias, caso prossiga a mesma política de escravidão dos craques a sistemas pré-determinados.
- “Nem sempre há um Zagallo para um perfeito 4-3-3, a exemplo do que aconteceu em 1958”.
Em 1966 houve muitos erros e Gilmar aponta-os, criminando a indefinição de uma equipe base quando se chegou em Londres, ocasionando intraquilidades maiores. O ídolo, com seu individualismo, é condenável sob todos os aspectos e Gilmar cita Vavá, Bellini e Orlando, que “não fora, rigorosamente ídolos”.
Gilmar foi chamado a integrar o selecionado brasileiro no ano passado, dentro dos preparativos para 1970, recusando-se mesmo depois das justificativas de que Picasso e Lula não se encontravam bem. Longe de ambição, o arqueiro fez ver que Cláudio era o dono da posição no Santos e merecia melhores chances.
- “Se voltarem a insistir, poderei cooperar, mas volto a dizer que é chegada a vez dos outros”.
Atualmente com seus 38 anos de idade, acredita que seu tempo já passou e não dverá ter vez no próximo mundial de 70, no México. Seu nome vem sendo lembrado, mas ele continua a frisar que tanto Félix, como Picasso ou Lula tem condições de defender o arco brasileiro.
Segundo Gilmar, o cansaço não vem sendo a causa do mal que querem atribuir a atual seleção brasileira, preferindo partir para a tese da saturação de bola. Depois de afirmar não haver motivos para a primeira das razões, explica que o mal é cansaço, mas cansaço de bola.
- “O jogador brasileiro já entra na seleção cansado de tanto jogar sem parar”.
- “A bola está a causar pavor, tédio e saturação afinal, porque não se para de jogar, quer em torneios, campeonatos e taças. Nas Copas de 58 e 62 as coisas foram dosadas de maneira ideal. Depois da convocação, tivemos quase um mês sem ver a cor da bola, alimentado-nos apenas de treinamentos físicos e quando entramos no campo das disputas da Copa a fome pelo balão era notada em todos, indistintamente”.
Explica ainda o famoso guardião que a experiência é sempre válida para o êxito do jogador de futebol:
- “Por mais craque que ele seja há sempre algo mais a aprender”. As tendências do craque, no seu entender,precisam ser modeladas, sempre em função da equipe. Cita que sempre procurou imitar os arqueiros que pensava servirem de modelo para ele. Oberdan, Barbosa e Castilho são alguns deles, frisando também que isto não se constituía humilhação para ninguém.
Apresentando-se saudoso, Gilmar relembra os dias memoráveis do selecionado brasileiro. Os anos de 58 e 62 não saem do seu pensamento e ele enfatiza: “Aquela seleção refletia os anseios de milhões de brasileiros que sofreram com os ouvidos colados ao rádio. Organização e comando, tudo era perfeito, principalmente a necessidade que tínhamos de causar decepções nos que em nós confiavam”.
Os sistemas táticos são condenáveis, principalmente por considerar que se está desprezando uma qualidade nata do jogador brasileiro: a improvisação.
- “Enquanto os outros estão procurando copiar, através de filmes a maleabilidade do jogador brasileiro, nós estamos a desprezar esta qualidade inerente e indispensável ao futebol. O craque brasileiro está escravizado a sistemas. Estes devem nascer espontaneamente, de acordo com as características dos nossos craques, como aconteceu em 58. O 4-3-3, adaptado àquela época era válido porque tínhamos um Zagallo”.
Os erros de 66, de conformidade ainda com Gilmar, não devem ser repetidos. Diz que faltou naquele ano uma equipe base nos treinamentos, tendo em vista a convocação de 40 jogadores. Chegou-se em Londres sem se saber o time que iria ser lançado. Finaliza dizendo que Vavá em 58 e 62 não era, na expressão máxima da palavra, ídolo. Bellini e Orlando também jamais o foram. Aos que se opõem à escalação de Tostão na ponta-esquerda, responde que quem é bom joga em todas as posições.
Fonte: Diario da Noite, Recife, 02/01/1969
- “Nem sempre há um Zagallo para um perfeito 4-3-3, a exemplo do que aconteceu em 1958”.
Em 1966 houve muitos erros e Gilmar aponta-os, criminando a indefinição de uma equipe base quando se chegou em Londres, ocasionando intraquilidades maiores. O ídolo, com seu individualismo, é condenável sob todos os aspectos e Gilmar cita Vavá, Bellini e Orlando, que “não fora, rigorosamente ídolos”.
Gilmar foi chamado a integrar o selecionado brasileiro no ano passado, dentro dos preparativos para 1970, recusando-se mesmo depois das justificativas de que Picasso e Lula não se encontravam bem. Longe de ambição, o arqueiro fez ver que Cláudio era o dono da posição no Santos e merecia melhores chances.
- “Se voltarem a insistir, poderei cooperar, mas volto a dizer que é chegada a vez dos outros”.
Atualmente com seus 38 anos de idade, acredita que seu tempo já passou e não dverá ter vez no próximo mundial de 70, no México. Seu nome vem sendo lembrado, mas ele continua a frisar que tanto Félix, como Picasso ou Lula tem condições de defender o arco brasileiro.
Segundo Gilmar, o cansaço não vem sendo a causa do mal que querem atribuir a atual seleção brasileira, preferindo partir para a tese da saturação de bola. Depois de afirmar não haver motivos para a primeira das razões, explica que o mal é cansaço, mas cansaço de bola.
- “O jogador brasileiro já entra na seleção cansado de tanto jogar sem parar”.
- “A bola está a causar pavor, tédio e saturação afinal, porque não se para de jogar, quer em torneios, campeonatos e taças. Nas Copas de 58 e 62 as coisas foram dosadas de maneira ideal. Depois da convocação, tivemos quase um mês sem ver a cor da bola, alimentado-nos apenas de treinamentos físicos e quando entramos no campo das disputas da Copa a fome pelo balão era notada em todos, indistintamente”.
Explica ainda o famoso guardião que a experiência é sempre válida para o êxito do jogador de futebol:
- “Por mais craque que ele seja há sempre algo mais a aprender”. As tendências do craque, no seu entender,precisam ser modeladas, sempre em função da equipe. Cita que sempre procurou imitar os arqueiros que pensava servirem de modelo para ele. Oberdan, Barbosa e Castilho são alguns deles, frisando também que isto não se constituía humilhação para ninguém.
Apresentando-se saudoso, Gilmar relembra os dias memoráveis do selecionado brasileiro. Os anos de 58 e 62 não saem do seu pensamento e ele enfatiza: “Aquela seleção refletia os anseios de milhões de brasileiros que sofreram com os ouvidos colados ao rádio. Organização e comando, tudo era perfeito, principalmente a necessidade que tínhamos de causar decepções nos que em nós confiavam”.
Os sistemas táticos são condenáveis, principalmente por considerar que se está desprezando uma qualidade nata do jogador brasileiro: a improvisação.
- “Enquanto os outros estão procurando copiar, através de filmes a maleabilidade do jogador brasileiro, nós estamos a desprezar esta qualidade inerente e indispensável ao futebol. O craque brasileiro está escravizado a sistemas. Estes devem nascer espontaneamente, de acordo com as características dos nossos craques, como aconteceu em 58. O 4-3-3, adaptado àquela época era válido porque tínhamos um Zagallo”.
Os erros de 66, de conformidade ainda com Gilmar, não devem ser repetidos. Diz que faltou naquele ano uma equipe base nos treinamentos, tendo em vista a convocação de 40 jogadores. Chegou-se em Londres sem se saber o time que iria ser lançado. Finaliza dizendo que Vavá em 58 e 62 não era, na expressão máxima da palavra, ídolo. Bellini e Orlando também jamais o foram. Aos que se opõem à escalação de Tostão na ponta-esquerda, responde que quem é bom joga em todas as posições.
Fonte: Diario da Noite, Recife, 02/01/1969

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